Versificação e Poesia – Algumas lições

Para provar que o Ziks and Icyng é um blog de muita cultura, começamos a trazer até vocês uma série de atrações “culturais” no blog.

Na primeira delas, venho eu ensinar um pouco sobre “escrever poesia”.

Como alguns sabem eu sou poeta e estudante de letras, focando-me mais na literatura, com um gosto especial (mas talvez não essencial) pela poesia.
Muitos pensam que escrever poemas trata-se smente de inspiração, o que é errôneo. Acreditava-se, com o romantismo, que o poema era fruto da inspiração do gênio. O Parnasianismo progava que o poema era apenas trabalho formal. Foram precisos os modernistas para mostrar que o poema pode aliar as duas coisas, inspiração e trabalho.

Mas… que trabalho?

Vejamos esses dois poemas:

“Todos estes que aí estão
Atravancando o meu caminho,
Eles passarão…
Eu passarinho!”
Mário Quintana

“Quando passas pela rua
Sem reparar em quem passa,
A alegria é toda tua
E Minha toda a desgraça.”
Fernando Pessoa

Podemos notar que o ritmo do primeiro é mais fragmentado que o do segundo, o que não denota maior ou menor habilidade, mas uma opção de gosto estético na poesia.
Isso ocorre porque o primeiro é um poema em verso livre, ou seja, o autor não se preocupa com a forma do poema e cria as imagens em versos ao seu gosto, a fim de aumentar o impacto causado pelo poema.
O segundo é um poema escrito em redondilha maior, ou verso de sete sílabas, pois apresenta um ritmo pautado na presença de sete sílabas poéticas.

Como assim “sílabas poéticas”?

Uma sílaba normal é uma emissão de som em uma palavra. Ao pegarmos o primeiro verso da quadrinha de Pessoa, teremos:

Quan-do – pas-sas – pe-la – ru-a  –   Ou seja: 8 sílabas

Mas a sílaba poética portuguesa é contada apenas até a última sílaba tônica do verso.
Temos então:

Quan-do-pa-sas-pe-la-RU

Preste atenção no corte do “s” da 1ª sílaba de “passas”: faço esse corte para que possamos ver só o som, ignorando as letras.

A fim de melhor manter o ritmo do poema, nós o declamamos com a junção de algumas vogais. Veja só como analisamos o 3º verso da quadrinha de Pessoa:

Aa-le-gri-é-to-da-TU

Veja que eu juntei os dois “A” do começo e sumi com o “A” final de alegria. Declame essa quadrinha em voz alta e preste atenção nessa junção, pois são junções assim que mantém o ritmo do verso constantes.

Todos estes que aí estão
Atravancando o meu caminho,
Eles passarão…
Eu passarinho!

Essas primeiras noções de reconhecimento de sílabas poéticas é fundamental para aprender versificação. Volto com mais semana que vem!
(Escrevam alguns versos aqui nos comentários!)

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Um comentário sobre “Versificação e Poesia – Algumas lições

  1. Muito bom mesmo. Excelente lição, bem didática. Obrigado. Cultura é isso; saber fazer aprender…
    abs

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