Sobre ser “ateu”

Após ler um excelente artigo no blog do meu vocalista, o Delírios de Kaze, eu pude criar coragem para finalmente publicar um texto que estava louco para publicar: um texto sobre ateísmo.

Para começar, vamos pelo simples: O que é um “ateu”?

Há um tempo eu saberia responder a essa pergunta com rapidez, mas hoje não considero o termo tão absoluto. “Ateu” significa “a negação aos deuses”, ou seja, ateu seria uma pessoa que nao acredita em nenhum deus e leva isso como filosofia de vida. Acontece que o termo é banalizado por falsos ateus, pessoas que se declaram atéias ou por pura conveniência ou simplesmente por que acham mais legal serem do contra,  tal qual a maioria dos cristãos de hoje em dia, que se dizem cristãos mais por conveniência que por real crença. Esse tipo de atitude é altamente prejudicial para os padrões intelectuais/éticos das duas crenças, além de não levar a lugar nenhum.

Claro que quando me refiro a cristãos e ateus, apenas os uso por serem os melhores exemplos. Na minha opinião, o real caminho da evolução intelectual está na não aceitação de respostas abstratas e na busca de fatos e provas de tudo aquilo que não sabemos.

Falando um pouco mais sobre os “Ateus atuais”. Como dito pelo Kaze em seu blog, eles estão entrando em fóruns de discussão atéia por puro passatempo e, ao invés de dialogarem coisas mais profundas, ficam à espera de um cristão/evangélico que tenha muito pouco o que fazer da vida e vão encher a comunidade com mais um tópico do tipo “Seus hereges, queimem no inferno”. Logo após a criação do tópico os ditos “ateus” ficam apenas xingando deus e Jesus e, por consegüinte, afirmam a existência dos mesmos. Alguém pode incutir na cabeça desses seres humanos infelizes que é inútil fazer isso? Não creio.

Um fato importante a se considerar: como a pessoa começou a ser atéia? Vou contar a minha história. Eu sempre fui um garoto curioso, que gosta de ir além e saber exatamente qual é a verdade. Talvez por isso, não sei, sempre tive poucos amigos. Eu rezava regularmente, sempre pedia e agradecia a deus pela minha saúde, família etc. Por outro lado,  sempre fui estudioso, com gosto pela leitura e pela cultura desde cedo. Enquanto aprofundava minha crença, ao mesmo aprofundava meu conhecimento e, por conseqüência, comecei  contestar algumas coisas fundamentais, até que, mais ou menos pelos meus 14 anos de idade, comecei a contestar não só a sociedade, como tambem a religião. Foi um embate duro, pois a vontade de crer em algo “pós-vida” e em um ser transcendental era grande, mas a força da lógica ainda é insuperável. Lembro como se fosse ontem a noite em que fiquei olhando para o céu, hobby que eu tenho desde pequeno, e disse a mim mesmo: “é inútil, não importa como eu pense nisso, ‘deus’ não existe”. Desde então, me declaro ateu e detesto que me comparem a qualquer tipo fútil de pessoa sem fundamento em suas crenças. Enfrentei muitas vezes a argumentação e a irritação de várias pessoas além, é claro, do preconceito que sim, existe. Caso um declarado “ateu” tenha chegado à sua conclusão por pensamentos bem trabalhados, eu sou capaz de acreditar na veracidade da ‘des’crença desse indivíduo, mas se os fatos forem inconclusivos, é como declarar-se religioso só por ser batizado, é uma definição fútil.

Uma pessoa atéia não precisa convencer os outros de sua crença, ela é uma pessoa muito bem auto-afirmada. Se ela convencer alguém de suas crenças é porque elas são boas e bem fundamentadas. As comunidades do orkut e fóruns ateus dedicados a criticar o Cristianismo e o Evangelismo, que, diga-se por sinal, parece que são ocmpostas apenas de “ateus” que detestam o deus bíblico e tão somente o deus bíblico, estão lotados de pessoas que parece que simplesmente não tem muito mais a fazer se não gastar suas palavras ali. Muito jamais leram, ou sequer ouviram falar em Nietzche ou Richard Dawkins. Muitos meramente sabem que Chaplin era ateu e conhecem mais alguns nomes. Alguns citam a bíblia sem jamais tê-la estudado. Criticam as religiões sem entender seu princípio fundamental.

Enfim, para quem me conhece, pode até achar estranho, mas esse não é um texto sobre religião que critica alguma crença, mas um texto que critica os ateus, ou melhor “ateus”. É preciso haver mais cultura verdadeira, mais vontade de saber, para que o ateísmo deixe de ser uma mania de adolescentes frustrados ou pessoas desacreditadas na vida e volte a ser a filosofia forte e polêmica que sempre foi. Preconceito? Sempre haverá. Difamação? Também, mas o que não pode mais haver é pessoas usando termos tão importantes em vão.

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11 comentários sobre “Sobre ser “ateu”

  1. Curioso! O comentarista “Marcos Blasques” acima fala algo sobre ateísmo aqui nos posts… Eu também me chamo “Marcos Blasques” (como redução de nome no meio artístico) e, assim como ele, gosto de discorrer sobre esse assunto. Que coincidência!

    É difícil encontrar dois ‘Marcos Blasques’ por aí sabe?! E mais difícil ainda encontrar dois ‘Marcos Blasques’ que falem sobre o mesmo assunto. Caro Marcos Blasques, você poderia entrar em contato comigo para eu conhecê-lo xará? De onde você é?

    Grande “musicabraço cineanimado” a todos,

  2. Admiro alguns ateus porque possuem muito conhecimento,porém,não entendo porque tantos ateus lutam contra aquilo que não existe,como posso combater a idéia que,para mim é fictícia com alguém que acredita que o objeto em questão seja real?Se não há uma comprovação científica para Deus (questão que muitos cientistas querem solucionar),para quê discutí-lo senão de forma filosófica?Muitos ateus estão criando como já foi dito aqui antes,religiões ateítas,alguns estão tão fanáticos que até indagações comuns e simples para um bom entendimento do assunto são tratados como se fossem violências físicas a sua integridade.Muitos combatem a moral do deus judeu,dando a entender que se ele fosse perfeito seriam judeus,católicos ou evangélicos.Paz para todos!

  3. eu acompanhei por um bom tempo a ‘Evangelize-me Se For Capaz’ no orkut, no começo tinha alguns debates interessantes, mas com o tempo os ateus que debatiam serio foram cansando de ficar lendo as mesmas coisas sempre, alguns se tornaram rudes ou passaram a fazer piadinhas, outros simplesmente param.
    lembro ate que teve uma crente que se tornou ateia num desses debates, pois ela foi com a mente aberta a novas ideias.

  4. Seu ponto de vista é conclusivo muito bem formulado, concordo que muitos ateus ficam em comunidades expressando indignações com relação as religiões e deuses,o fato é que isso tem se formado uma grande bagunça, não se vê pessoas defendendo ideias de conteúdo,tampouco argumentos consideráveis, acredito que o ateísmo está para responder a afirmações da existência de ser onipotente, não somos nós que definimos um deus e afirmamos que ele existe, mas sim, respondemos as afirmações de que ele exista, ambos os lados não podem provar suas afirmações sobre existir ou não. Como não se sabe realmente, não se tem evidências concretas nem mesmo enfraquece uma
    os debates,argumentos e discussões não se elevam,muito menos mudam os lados, mas mostra que é preciso saber o que e no que é realmente preciso acreditar. . . a discrepância dos assuntos se evasão por motivos óbvios, não mais se encontra a defesa de uma ideia ou a luta por um respeito pela liberdade de escolha. De fato está tudo muito desmembrado e fora de foco, muitos não podem definir o ateísmo em um termo complexo, e muitos talvez tenha feito essa escolha por motivos fúteis.
    muitos se denominam apenas para dizer que é da oposição.
    E os argumentos ignorantes são os que nos leva a todo esse desmembramento desnessessário. Nem mesmo enfraquece uma classe única por que o ateísmo pode ser defino como uma forma de vida liberal por que você se baseia em si próprio em seus conhecimentos e juízo.

  5. Ótimo texto, sou ateu também e concordo com você. Realmente exitem “ateus” que fazem do ateísmo uma religião, criando certos dogmas que devem ser seguidos ou até mesmo fazendo “pregação” em comunidades religiosas do orkut (não é raro encontrar esse tipo de gente por lá). Seria perfeito se as pessoas respeitassem a crença, ou descrença, dos outros. Mas isso é quase impossível, infelizmente. Eu pelo menos faço minha parte… na minha família mesmo existe de tudo: espitita, católico, evangélico, ateu (e não sou só eu), etc… e nunca teve briga por causa disso, basta respeito.

  6. Cara, tu seguiu exatamente a minha linha de pensamento. Sinceramente, acho que se ateus na sua grande maioria argumentassem como nós talvez essa classe ganharia o respeito e voz que merece.

    Mas fazer o quê? Nem tudo são flores! \o
    Bora viver nossas vidas e expandir nosso jardim!

    Abraço

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